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Análise · Reputação corporativa · 2026

De 18,7% para 7,1%: fatia de empresas que declara ROI mensurável em reputação caiu mais de 60% em um ano

É o que mostra a segunda edição do Panorama da Gestão de Reputação Empresarial no Brasil, da Knewin com ESPM e Abracom: 166 profissionais ouvidos, entre 98 empresas e 68 agências de comunicação.

Fonte: Knewin, O Panorama da Gestão de Reputação Empresarial no Brasil, Edição 2026 (divulgado em julho de 2026; campo de outubro a dezembro de 2025)
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Gráficos de desempenho exibidos em tela durante reunião de análise
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Por que este briefing

Por Thiago Menezes Diretor da Novo Mundo Comms & Mkt·

A capacidade das empresas brasileiras de comprovar o retorno da gestão de reputação despencou entre 2025 e 2026. A fatia que declara ROI altamente positivo, com benefícios claros e mensuráveis, caiu de 18,7% para 7,1%, recuo de 62% em um ano, de acordo com a segunda edição do Panorama da Gestão de Reputação Empresarial no Brasil, da Knewin com ESPM e Abracom. O movimento tem par: as empresas que admitem não avaliar formalmente o ROI triplicaram no mesmo período, de 8% para 25,5%. O contraste é com a importância declarada do tema, classificado como extremamente importante por 94,2% dos 166 profissionais ouvidos entre outubro e dezembro de 2025.

Além disso, a pesquisa mostra que a reputação subiu na hierarquia sem ganhar estrutura. Em 76,6% das empresas a decisão final sobre o tema está com Diretoria, CEO ou Presidência, e a inclusão da reputação no planejamento estratégico saltou de 28% para 45,9% em um ano. Mas apenas 1% das organizações tem um executivo dedicado à função, um terço (33,7%) não tem integração formal do tema às demais áreas e 25,5% não fazem nenhuma avaliação periódica da própria reputação. O preparo para crise segue baixo: 18,4% se dizem altamente preparadas, enquanto 73,5% estão entre níveis básico e intermediário.

Do lado das agências, o retrato é de dependência da crise. 98,5% afirmam ser acionadas quando o problema já está instalado e 76,5% dizem conquistar novos clientes justamente nesses momentos. Na percepção delas, só 25% dos clientes tratam reputação como ativo estratégico de longo prazo; os demais a associam a imagem (38,2%) ou a risco a mitigar em crise (36,8%). O estudo, publicado em julho deste ano, ouviu 98 empresas e 68 agências.

Vamos ver esses e outros dados da pesquisa a seguir: a queda da mensuração em detalhe, a governança, o preparo para crise, o espelho das agências e as ressalvas de leitura que a amostra pede.

01 A queda
Empresas que avaliam o ROI de reputação como altamente positivo, com benefícios claros e mensuráveis. Fonte: Knewin, Panorama da Gestão de Reputação Empresarial no Brasil (2026).
Edição 202518,7%
Edição 20267,1%
Recuo de 62% em um ano

Em 2025, 18,7% das empresas declaravam retorno claro e mensurável em reputação. Um ano depois, 7,1%.

02 Quem parou de medir
Empresas que declaram não avaliar formalmente o ROI das iniciativas de reputação. Fonte: Knewin (2026).
Edição 20258%
Edição 202625,5%
Somado ao "incerto"Juntando os 25,5% que não avaliam formalmente com os 23,5% que consideram o retorno incerto, 49% das empresas não sabem dizer o que a reputação devolve ao negócio.
O par da queda

As que não avaliam formalmente o ROI saltaram de 8% para 25,5%. Triplicaram em um ano.

03 A tesoura
Importância declarada da reputação contra capacidade declarada de provar o retorno. Fonte: Knewin (2026).
Classificam como extremamente importante94,2%
Provam retorno claro e mensurável7,1%
Consenso sem prova

94,2% chamam a reputação de extremamente importante. 7,1% conseguem provar o retorno.

04 A porta de entrada
A relação das agências de comunicação com a crise, na etapa quantitativa com 68 agências. Fonte: Knewin (2026).
São acionadas pelos clientes em momentos de crise98,5%
Conquistam novos clientes durante crises de imagem76,5%
Clientes que veem reputação como ativo estratégico25%
Gestão reativa

98,5% das agências são acionadas quando a crise já está instalada. E 76,5% ganham cliente novo nesses momentos.

01 Análise · O que a pesquisa mede

166 respondentes, dois retratos.

O Panorama é um survey online conduzido pela Knewin, com apoio da ESPM e da Abracom e curadoria de Tatiana Maia Lins (Makemake Reputação) e Sheila Magri (diretora executiva da Abracom). O campo rodou entre outubro e dezembro de 2025, com 166 respondentes divididos em dois blocos: 98 representantes de marcas e empresas e 68 de agências de comunicação e relações públicas. Uma etapa qualitativa, em grupo focal com lideranças de agências, complementa os números.

A amostra é experiente e sênior: 74,1% têm mais de cinco anos de atuação em gestão de reputação e mais de 76% ocupam cargos de média ou alta gestão. Entre as empresas, 19,4% faturam acima de R$ 1 bilhão. O peso geográfico está no Sudeste, com São Paulo respondendo sozinho por 44,6% da amostra.

02 Análise · ROI

O que o mercado pensa sobre ROI.

Avaliação do ROI das iniciativas de reputação, edição 2025 contra edição 2026. Fonte: Knewin (2026).
Resposta20252026Variação
Positivo, embora difícil de quantificar44%39,8%-4,2 p.p.
Não avaliamos formalmente o ROI8%25,5%+17,5 p.p.
Incerto, difícil de avaliar22,7%23,5%+0,8 p.p.
Altamente positivo, claro e mensurável18,7%7,1%-11,6 p.p.
Neutro (benefícios igualam custos)5,3%3,1%-2,2 p.p.
Negativo (custos superam benefícios)1,3%1%-0,3 p.p.

A dificuldade de mensurar é o terceiro fator mais citado como obstáculo à construção de reputação (24,5%), atrás apenas de orçamento limitado (40,8%) e cultura corporativa resistente (25,5%). E o ciclo se fecha sozinho, porque sem prova de retorno o orçamento não cresce: 44,9% das empresas mantiveram o investimento estável entre 2024 e 2025 e apenas 16,3% aumentaram.

O ciclo completo

Sem medição não há prova de retorno. Sem prova de retorno não há orçamento. Sem orçamento, a reputação segue tratada como despesa de crise, não como ativo.

03 Análise · Governança

A caneta subiu, a estrutura não.

A responsabilidade final pela reputação está no topo: Diretoria (39,9%), CEO (20,4%) e Presidência ou Direção Executiva (16,3%) somam 76,6% das empresas. Mas o cargo dedicado praticamente não existe, com CRO (Chief Reputation Officer) em apenas 1% das organizações, e o dinheiro segue fragmentado: em 25,5% dos casos o orçamento é dividido entre múltiplos departamentos e em 24,5% entre Comunicação e Marketing. Só 10,2% têm verba ligada diretamente à Presidência.

Houve avanço real em integração: a inclusão da reputação no planejamento estratégico saltou de 28% para 45,9%, e a fatia sem nenhuma integração formal caiu de 57,3% para 33,7%. O uso de KPIs de reputação em todas as áreas, porém, andou para trás, de 16% para 9,2%.

04 Análise · Crise e monitoramento

Preparo polarizado, vigilância digital.

Na preparação para crise, o topo e a base cresceram ao mesmo tempo. As empresas que se consideram altamente preparadas, com planos detalhados e simulações regulares, subiram de 12% para 18,4%. As que admitem despreparo total dobraram, de 4% para 8,1%. No meio, 73,5% seguem entre níveis básico e intermediário. Não é amadurecimento médio do mercado: é distanciamento entre quem estruturou e quem ficou para trás.

O monitoramento é dominado pelo digital: 81,6% acompanham mídias sociais, 61,2% fazem pesquisas de satisfação, 56,1% analisam mídia tradicional. Mas 25,5% das empresas não realizam nenhuma avaliação formal periódica da própria reputação. No ranking de stakeholders, clientes seguem em primeiro, colaboradores subiram para segundo, e a mídia caiu para terceiro. Reguladores e ONGs subiram uma posição cada, enquanto a comunidade local caiu de quarto para quinto.

O relatório completo está aberto no site da Knewin: O Panorama da Gestão de Reputação Empresarial no Brasil, Edição 2026.

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Perguntas frequentes

O que é o Panorama da Gestão de Reputação Empresarial no Brasil?

É uma pesquisa da Knewin, com apoio de ESPM e Abracom e curadoria de Tatiana Maia Lins e Sheila Magri, que mapeia como empresas e agências brasileiras estruturam a gestão de reputação. A segunda edição ouviu 166 profissionais (98 de empresas e 68 de agências) em formulário online, entre outubro e dezembro de 2025, e foi divulgada em julho de 2026.

Quantas empresas brasileiras não medem o retorno da gestão de reputação?

Somando as que não avaliam formalmente o ROI (25,5%) e as que consideram o retorno incerto (23,5%), 49% das empresas ouvidas não sabem dizer o que a reputação devolve ao negócio. Só 7,1% declaram retorno altamente positivo, com benefícios claros e mensuráveis.

As empresas brasileiras estão preparadas para crises de reputação?

Na amostra, 18,4% se declaram altamente preparadas, com planos detalhados e simulações regulares. Outras 73,5% estão entre níveis básico e intermediário e 8,1% admitem não ter preparo nenhum, fatia que dobrou em relação à edição anterior.

Referências

01O Panorama da Gestão de Reputação Empresarial no Brasil, Edição 2026. Knewin, com apoio de ESPM e Abracom. Curadoria de Tatiana Maia Lins e Sheila Magri. Divulgado em julho de 2026; campo de outubro a dezembro de 2025, 166 respondentes.
02Pesquisa mostra avanços na gestão da reputação no Brasil. Portal dos Jornalistas, julho de 2026. Cobertura do lançamento.

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Retrato de Thiago Menezes, diretor da Novo Mundo Comms & Mkt

Por

Thiago Menezes

Diretor de Estratégia e Projetos

Comunicador e jornalista com especialização em Gerenciamento de Projetos. Atuo há mais de 16 anos na interseção entre comunicação corporativa, reputação e gestão, conduzindo projetos para empresas e instituições do agronegócio, mineração, indústria e ESG.

Acredito em comunicação que parte da evidência. Equipes seniores, briefing único, decisões orientadas por dado. É essa a tese que sustenta a Novo Mundo.

FormaçãoComunicação Social · Jornalismo
EspecializaçãoGerenciamento de Projetos
Contatotmenezes@novomundocom.com

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