Só 17% dos profissionais de CI acreditam que os gestores se veem como principal meio de comunicação. Entre os gestores, 70% se atribuem esse papel.
Na décima rodada anual do estudo, a Aberje e a Ação Integrada ouviram 140 empresas espalhadas por todas as regiões do país. Oito em cada dez planejam investir na liderança em 2026. Apenas 42% conseguem avisar o gestor antes de comunicar ao time.
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Há uma vasta produção de conteúdo e todo um ecossistema de treinamentos para líderes melhorarem o engajamento das suas equipes. É assunto que rende best-seller e clique em rede social. Para quem trabalha com Comunicação Interna, o cenário se inverte. Pelo décimo ano consecutivo, engajar lideranças como comunicadores aparece como o maior desafio dos profissionais da área, segundo a pesquisa Tendências da Comunicação Interna, realizada pela Aberje e pela Ação Integrada.
O levantamento está na 10ª edição e ouviu 140 empresas de médio e grande porte, com participação de empresas menores, distribuídas por todas as regiões do país e por 35 setores. Metade da amostra (51%) tem entre 1.001 e 5.000 colaboradores e 34% passam de 5.000. Entre os respondentes, 54% ocupam cargo de gestão e 68% acumulam mais de seis anos na área. Os dados foram coletados em 2025 e apresentados neste ano.
Na pesquisa, oito em cada dez profissionais pretendem manter, aumentar ou alocar recurso em duas frentes voltadas à liderança: canais próprios para os gestores (81%) e treinamento para prepará-los como comunicadores (80%). E quase 90% seguem com os encontros de alinhamento com quem lidera os times (89%).
Canais dedicados, treinamentos e eventos são importantes e merecem atenção. O estudo mostra, porém, que as áreas de comunicação têm pecado no básico: só 42% chegam ao gestor antes de o time receber a mensagem, o que a pesquisa chama de informações de desdobramento. São dois pontos a menos que no ano passado. As áreas querem engajar os gestores como comunicadores, mas eles recebem o direcionamento no mesmo minuto que os liderados.
Não foi só isso que a pesquisa identificou. Os dados mostram que a IA já está integrada à rotina da Comunicação Interna, que a cultura segue como foco, que a gestão de canais e conteúdos toma a maior parte do tempo das equipes, que a segmentação e a personalização são tendências cada vez mais desejadas e que, depois de anos em alta, o volume de informação começa a ser cortado em favor do que é mais relevante.
Veja a seguir todos os indicadores apresentados no evento de divulgação dos resultados, transmitido pelo YouTube.
Só 17% dos profissionais de CI acreditam que os gestores se veem como principal meio de comunicação. Entre os gestores, 70% se atribuem esse papel.
Menos da metade das áreas avisa o gestor antes de comunicar ao time. Os dois recebem a informação no mesmo minuto.
Canal, treinamento e evento seguem no plano de oito em cada dez áreas. A sistematização dos rituais de conversa, no entanto, caiu 18 pontos em um ano. Os profissionais de comunicação querem investir em canais e treinamento, mas travam na engrenagem mais simples: a sistematização dos processos de alinhamento entre a CI e os líderes, e entre os líderes e as equipes.
A liderança responde por 37% da efetividade da CI na percepção da área. E consome 8% do tempo das equipes.
Setenta e três por cento das empresas participantes usam inteligência artificial na Comunicação Interna. Nas empresas com mais de 5.000 colaboradores, o índice sobe para 80%. O uso está concentrado em produção e análise, e o benefício mais citado é tempo.
O passo seguinte são os agentes de IA, que não param na geração de texto e cumprem tarefas sozinhos, do resumo de uma reunião à leitura de um clipping. Nesse ponto a área está dividida entre quem já opera e quem ainda planeja.
A tecnologia é apontada como principal motor de inovação da área e 73% já a utilizam. Ao mesmo tempo, 44% esperam que a IA perca relevância em 2026 e apenas 11% a colocam no centro da estratégia.
A inovação da área no último ano veio principalmente da tecnologia. Ferramentas e canais digitais lideram, e as duas posições seguintes ficam empatadas entre a frente analítica e a de automação.
Fortalecer a cultura segue como o principal objetivo declarado da Comunicação Interna, citado por 86% das áreas. Criar clareza sobre a estratégia da empresa vem em seguida, com 79%. O terceiro objetivo da lista, ligado à adoção de comportamentos, sistemas e processos, fica em 53% e quase não aparece nas mensagens do dia a dia.
Nas mensagens planejadas para 2026, cultura da empresa lidera com 75%, seguida por iniciativas de gestão de pessoas (71%) e estratégias e resultados (58%).
| Tema | Empresas |
|---|---|
| Cultura da empresa (propósito, missão, visão e valores) | 75% |
| Iniciativas de gestão de pessoas (benefícios, PPR, carreira) | 71% |
| Estratégias e resultados da empresa | 58% |
| Ética, integridade e compliance | 33% |
| Diversidade, equidade e inclusão | 27% |
| Segurança no trabalho | 26% |
| Datas comemorativas | 26% |
| Meio ambiente e sustentabilidade | 24% |
| Orientações sobre processos e políticas da empresa | 21% |
| Projetos e investimentos da empresa | 18% |
| Lançamentos de produtos e serviços | 17% |
| Saúde mental | 16% |
| Inovação | 12% |
| Transformação digital | 8% |
| Posicionamento de marca | 8% |
| Segurança da informação e LGPD | 8% |
| Produtividade e redução de custos | 7% |
| Experiência do cliente ou consumidor | 7% |
| Qualidade, excelência e metodologias ágeis | 5% |
Produtividade e redução de custos, experiência do cliente e qualidade e excelência operacional fecham a lista. São as mensagens que menos entram no pipeline da Comunicação Interna, todas abaixo de 8%, e são exatamente os temas que sustentam o resultado do negócio. Tem alguma coisa errada aí.
Alimentar os canais continua sendo o que mais come a agenda de quem trabalha em CI, 41% do total. Houve redução em relação ao ano anterior, e o tempo dedicado a planejamento, escutas e mensuração chegou a 17%, sete pontos acima de 2025.
Na conta de efetividade, a própria pesquisa agrupa gestores imediatos e alta liderança em um bloco de 37%, acima dos 21% que o conjunto de canais internos recebe. Na alocação de orçamento para 2026, o dinheiro continua indo para os canais.
| Movimento | Canal | 2026 |
|---|---|---|
| Principais manutenções | Comunicados por e-mail | 85% (77%) |
| Principais manutenções | Newsletter | 68% (63%) |
| Principais manutenções | Intranet, portal ou SharePoint | 62% (55%) |
| Novos investimentos | Intranet ou portal | 26% (26%) |
| Novos investimentos | TV corporativa | 24% (29%) |
| Novos investimentos | WhatsApp corporativo | 22% (21%) |
| Menos utilizados | Rádio corporativa | 91% não utilizam |
| Menos utilizados | Revista e jornal impresso | 81% não utilizam |
| Menos utilizados | Aplicativo de notícias | 65% não utilizam |
| Uso descontinuado | Mural impresso | 6% |
| Uso descontinuado | Podcast | 5% |
| Uso descontinuado | TV corporativa | 4% |
Segmentar e personalizar mensagens é a tendência mais apontada pelas áreas para 2026, e também uma das menos aplicadas. Quarenta por cento conseguem segmentar sempre ou na maioria das vezes, enquanto 41% só conseguem às vezes.
Quarenta e seis por cento dos profissionais já usam IA para segmentar e personalizar mensagens. Os ganhos declarados são conteúdo mais personalizado (34%), conteúdo mais envolvente (27%) e maior acessibilidade (8%).
| Público | Canais mais efetivos |
|---|---|
| Gestores imediatos | Comunicados por e-mail 34%, WhatsApp corporativo 33%, WhatsApp e Telegram em grupos informais 19% |
| Administrativo | Comunicados por e-mail 81%, intranet ou portal 58%, newsletter 33% |
| Comercial e vendas | Comunicados por e-mail 41%, intranet ou portal 19%, newsletter 17%. 40% das empresas não segmentam para esse público |
| Operacional nas unidades | Mural impresso 38%, TV corporativa ou mural digital 29%, WhatsApp corporativo 27%. 14% não segmentam |
| Operacional fora das unidades | WhatsApp e Telegram em grupos informais 21%, WhatsApp corporativo 18%, comunicados por e-mail 17%. 45% não segmentam |
Quase metade das empresas (45%) não segmenta nada para o operacional fora das unidades, e 40% não segmentam para o comercial. São exatamente os públicos que dependem do gestor imediato para receber a informação.
Depois de anos em alta, o volume começa a ceder. As empresas planejam rodar menos campanhas em 2026 e concentrar esforço no que rende mais. Em todas as faixas acima de cinco campanhas há queda em relação a 2025.
Entre as 36% que pretendem investir em ativações, 64% planejam manter a mesma quantidade, 26% preveem reduzir e 10% planejam aumentar. Metade das empresas coloca o gestor como multiplicador das campanhas.
Oitenta e três por cento dos profissionais dizem que o presidente ou CEO valoriza a Comunicação Interna, sendo 42% "valoriza" e 41% "valoriza muito". Nenhum respondente marcou "desvaloriza". Pelo segundo ano consecutivo, porém, o orçamento apresenta queda.
Oitenta e três por cento das áreas dizem que o CEO valoriza a Comunicação Interna. Quarenta e um por cento terão menos dinheiro em 2026, e nenhuma reportou aumento significativo. Valorização declarada e alocação de recurso seguem caminhos separados.
| Faixa | Empresas |
|---|---|
| Entre R$ 1.000.001 e R$ 3.000.000 | 31% |
| Prefiro não informar | 20% |
| Entre R$ 500.001 e R$ 1.000.000 | 17% |
| Entre R$ 100.000 e R$ 500.000 | 14% |
| Até R$ 100.000 | 8% |
| Acima de R$ 10.000.000 | 8% |
| Entre R$ 3.000.001 e R$ 7.000.000 | 1% |
| Entre R$ 7.000.001 e R$ 10.000.000 | 1% |
Converter curtida e clique em prova de retorno segue travado. Oitenta e quatro por cento das áreas medem engajamento nas publicações, e 7% calculam ROI. A efetividade da comunicação entre liderança e equipe aparece pela primeira vez no estudo, com 31%.
Fortalecer a cultura é o objetivo nº 1 da Comunicação Interna, citado por 86% das áreas. Cultura e sentimento é o item último colocado na lista do que os profissionais consideram importante mensurar, com 11%.
A pesquisa reuniu 140 empresas de todo o Brasil, distribuídas em 35 setores, sendo 16 deles com mais participações. Tecnologia e Energia lideram, com 9% cada, seguidos por Comércio Varejista e Agricultura/Agronegócio, com 7% cada. O peso geográfico está no Sudeste, que responde por 73% da amostra.
A estrutura da área é pequena mesmo em empresas grandes. Em 72% dos casos o time próprio de CI tem até seis pessoas, e em 40% tem até três. A subordinação da área ficou com Recursos Humanos em 43% das empresas e com Comunicação em 35%.
O grupo que respondeu é sênior: 54% ocupam cargo de gestão e 68% acumulam mais de seis anos na área. A operação da área se divide quase ao meio entre times fechados e times que somam reforço de fora.
O briefing de hoje veio maior que o normal, mas a pesquisa merecia o aprofundamento. É bastante coisa para colocar em prática nas áreas de CI.
Recomendo assistir à apresentação completa dos resultados, disponível no canal do YouTube.
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É um estudo anual realizado pela Aberje (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial) em parceria com a Ação Integrada. Na décima rodada, 140 empresas de 35 setores e de todas as regiões do país responderam ao questionário, e os resultados foram organizados em 10 achados. Os resultados foram apresentados em transmissão pelo YouTube.
Engajar as lideranças como comunicadoras, posição que o tema ocupa pelo décimo ano consecutivo nas edições da pesquisa. Os dados de 2026 mostram estagnação: apenas 42% das áreas avisam o gestor antes de o time receber a mensagem, dois pontos a menos que no ano anterior.
73% das empresas participantes usam inteligência artificial na área, índice que chega a 80% entre as que têm mais de 5.000 colaboradores. Os usos principais são fornecer análises e insights (64%), elaborar notícias para canais digitais (61%) e segmentar mensagens (46%). Economia de tempo é o benefício mais citado, com 95%. Em agentes de IA, 23% já utilizam e 39% planejam adotar em um a dois anos.

Por
Thiago Menezes
Diretor de Estratégia e Projetos
Comunicador e jornalista com especialização em Gerenciamento de Projetos. Atuo há mais de 16 anos na interseção entre comunicação corporativa, reputação e gestão, conduzindo projetos para empresas e instituições do agronegócio, mineração, indústria e ESG.
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