Novo Briefing
15 · Maio · 2026

Por que 88% usam IA e só 6% têm resultado

Em 2026, a corrida da IA deixou de ser sobre adoção. Virou sobre operacionalização. Investimento dos CMOs em ferramentas ainda não se transformou em resultados.

Adoção corporativa · 2026
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das organizações globais já usam IA em pelo menos uma função de negócio. Eram 72% em 2024.
Extração de valor · 2026
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conseguem atribuir mais de 5% do EBIT a iniciativas de IA. O gap entre adoção e resultado é o problema central.
Intenção vs maturidade
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de distância entre os 70% que declaram IA como meta crítica e os 30% que afirmam ter maturidade operacional para escalá-la.
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Por que este briefing
Por Thiago Menezes Diretor da Novo Mundo Comms & Mkt·15 de maio de 2026

Quanto a sua empresa gasta com IA? Quanto ela extrai disso? A primeira pergunta tem resposta dada. A segunda é onde mora o problema, e onde a comunicação corporativa precisa parar de fingir que não é com ela.

Em 2026, a IA deixou de ser experimento. CMOs estão destinando, em média, 15,3% do orçamento de marketing para iniciativas de inteligência artificial, e 70% afirmam que tornar-se líder nessa frente é meta crítica para o ano. No nível corporativo, 88% das organizações globais já usam IA em pelo menos uma função de negócio, número que vinha de 72% em 2024.

O debate sobre adotar ou não acabou. O que segue em aberto é a pergunta seguinte, e muito mais difícil: o que essa adoção está, de fato, produzindo?

Este briefing toma como base quatro estudos publicados nos últimos meses sobre o tema: a CMO Spend Survey da Gartner, o State of AI da McKinsey, o The CMO Survey (Duke, Deloitte e AMA) e o C-Suite Outlook 2026 do Conference Board. Complementarmente, dados de mensuração do NinjaCat, do Averi AI e da Forrester.

O recorte que segue é seletivo, voltado para uma única pergunta: onde está a defasagem entre o que se compra em IA e o que se entrega com ela, e por que essa defasagem virou, em 2026, uma questão de reputação corporativa.

01Resumo Executivo

O movimento já aconteceu. A entrega, ainda não.

O paradoxo da inteligência artificial corporativa em 2026 não é técnico. É organizacional. Entre as empresas que adotaram a tecnologia, apenas 6% extraem valor real no resultado financeiro, ou seja, conseguem atribuir mais de 5% do EBIT (Earnings Before Interest and Taxes, ou Lucro Antes de Juros e Impostos) a iniciativas nessa frente. Entre os CMOs, o paradoxo aparece nos dados: os mesmos 70% que declaram a área como prioridade admitem que seus processos internos não estão maduros o suficiente para implementá-la e escalá-la. Apenas 30% afirmam ter infraestrutura, processos e maturidade organizacional para sustentá-la em escala.

Em criação de conteúdo, a defasagem é maior. 94% dos profissionais de conteúdo usam IA, mas 81% não têm nenhum framework para medir resultado. Metade opera em nível experimental e sem método. Investimento cresceu. Impacto, não. A razão é uma só, e está implícita em cada um desses números: comprar ferramenta é fácil; construir a organização que sabe usá-la, não.

CMOs investem em ferramentas de IA mais rápido do que constroem as bases de dados, processos, governança e talento necessários para escalá-las.

Ewan McIntyre · VP Analyst e Chief of Research da Gartner
Ponto-chave

A corrida de 2026 não é mais por acesso à IA. É por capacidade de operacionalizá-la. E quem responde por reputação corporativa precisa entender que isso deixa de ser indicador interno e vira variável pública no momento em que toda empresa precisa comunicar o que está, de fato, fazendo com a tecnologia que comprou.

02Panorama Geral

Quatro dimensões do gap entre adoção e operacionalização.

% que adota ou declara intenção vs % que efetivamente opera ou extrai resultado · agregado das pesquisas Gartner 2026, McKinsey 2025, Averi AI 2026 e NinjaCat 2026

Em quatro recortes distintos, o mesmo padrão aparece. Em todos eles, o número de empresas e profissionais que adota ou declara intenção é muito maior do que o número que efetivamente opera, mede ou extrai resultado disso. O gap não é uniforme, mas a direção é. E essa direção, hoje, define quem vai usar IA como vantagem competitiva e quem vai usá-la como passivo reputacional.

Adota / Declara
Executa / Mede / Extrai
Diferença em pontos percentuais →
Leitura analítica

O maior gap está no uso operacional propriamente dito: 82 pontos percentuais separam quem usa IA de quem extrai valor financeiro mensurável dela. O segundo maior está na produção de conteúdo, área onde a comunicação corporativa opera diretamente. Essa tecnologia entrou nas redações e nos times de marketing antes de qualquer framework para julgar o que ela está, de fato, entregando.

A questão central

A estrutura que temos hoje consegue transformar essa tecnologia em resultado mensurável? Em 2026, na maior parte das organizações, a resposta ainda é não, e essa realidade começa a chegar ao mercado.

0bi USD
em perdas projetadas a empresas B2B em 2026 por uso descontrolado de IA generativa · Forrester
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dos compradores B2B já se dizem menos confiantes em decisões por imprecisão de IA
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das empresas ainda constroem capacidades internamente, sem parceiros · CMO Survey 2026
03Quem está na frente

Os líderes gastam mais. E gastam diferente.

Comparativo entre líderes em IA e a média do mercado · Gartner CMO Spend Survey 2026

O recorte da Gartner permite isolar o que separa organizações com maturidade real em IA do resto. Os líderes, de fato, gastam mais: alocam 21,3% do orçamento de marketing em IA, contra 15,3% da média. Mas o gap entre eles e os medianos não se explica só por volume. Está, sobretudo, no que a Gartner chama de agilidade orçamentária: a capacidade de realocar recursos entre frentes conforme os resultados aparecem, sem precisar esperar o próximo ciclo de planejamento. Está na governança que sustenta a operacionalização. Está no método com que cada real investido é mensurado. Os números abaixo medem só uma dimensão dessa diferença, a do gasto. A real, segundo a pesquisa, é estrutural.

Líderes em IA alocam mais orçamento, e operam orçamentos de marketing maiores em relação à receita % comparativos · base 401 CMOs · América do Norte, Reino Unido e Europa
Média do mercado
Líderes em IA

Os CMOs mais avançados não estão simplesmente gastando mais em IA. Estão criando a agilidade orçamentária, a capacidade de inovação e a disciplina operacional necessárias para transformar investimento em IA em impacto mensurável.

Ewan McIntyre · Gartner
Leitura analítica

A leitura honesta dos dados não é de que mais dinheiro resolve. É de que os líderes chegaram nesse patamar de gasto porque já tinham estrutura para escalar. A causalidade vai do método para o investimento, não o contrário. Para uma empresa que ainda não tem dados unificados nem workflows orquestrados, dobrar o orçamento em IA não fecha o gap. Aprofunda.


04Dois lados da mesma equação

Tecnologia é o lado fácil. Organização, não.

A convergência · todos chegaram

O acesso à tecnologia se democratizou em velocidade rara. Em quatro anos, a adoção de IA em ao menos uma função de negócio saltou de 50% para 88%. Ferramentas que custavam centenas de milhares de dólares em licenças corporativas hoje estão disponíveis por assinatura mensal. A barreira de entrada técnica, na prática, foi removida.

Por isso, a comunicação corporativa que tenta diferenciar uma marca pelo simples uso de IA hoje opera em cenário de paridade. Anunciar que a empresa a utiliza, em 2026, é o equivalente a anunciar que tem internet. Não diferencia. Não posiciona. Não move reputação.

A divergência · poucos entregam

Onde a paridade desaparece é na operacionalização. 78% dos profissionais de marketing ainda operam com dados fragmentados, e apenas 8% conseguem orquestrar workflows complexos de IA entre equipes. 81% dos times de conteúdo a operam sem nenhum framework de mensuração. Esses números desenham a real fronteira competitiva de 2026.

O que diferencia, agora, é a capacidade de transformar acesso em entrega. E isso não se compra, se constrói. Toda empresa vai comunicar IA em 2026. As maduras vão comunicar evidência. As imaturas vão comunicar promessa. A distância entre as duas comunicações define reputação no médio prazo.


05Implicações
Síntese · Equipe Novo Mundo

Quatro decisões que esses dados já estão influenciando.

Para a comunicação corporativa em ambiente de IA descontrolada

O gap entre o que se adota e o que se opera deixa de ser preocupação técnica e passa a ser variável pública no momento em que a empresa precisa comunicar o que faz com IA, para conselho, para mercado, para imprensa, para equipes e para clientes. Quatro frentes da comunicação corporativa absorvem esse gap em primeiro lugar.

01 · Reputação corporativa
O risco de comunicar promessa
A Forrester projeta perdas superiores a US$ 10 bilhões em valor de mercado em 2026 por uso descontrolado de IA generativa em ambiente B2B. Release com dado inventado, post automatizado com claim insustentável, atendimento ao cliente que improvisa política da empresa em conversa pública. Cada um desses pontos é, hoje, uma porta aberta para crise reputacional.
Governança · gestão de crise · porta-voz
02 · Alinhamento C-level
Quem empurra não é quem opera
O Conference Board identificou que líderes de tecnologia enxergam IA como prioridade de marketing mais do que os próprios CMOs (39% contra 28%). Quem empurra a adoção e quem vai operacionalizá-la frequentemente não estão alinhados. Quando não estão, a tecnologia entra na empresa como projeto técnico, não como capacidade de negócio.
Relações institucionais · comunicação interna
03 · Mensuração
Comunicar exige medir antes
81% dos times de conteúdo operam a tecnologia sem nenhum framework de mensuração. Comunicar capacidade exige, antes, definir como ela vai ser medida. Caso contrário, a empresa entra no ciclo do tudo está crescendo sem conseguir mostrar o que cresceu, e perde a oportunidade de transformar IA em narrativa institucional defensável.
Conteúdo · performance · narrativa institucional
04 · Capacidades antes de ferramentas
Investir em estrutura, não em estoque
Mais de 60% das empresas ainda constroem novas capacidades de marketing internamente, sem buscar parcerias ou aquisições, padrão estável desde 2020. A consequência é direta: ferramenta sem processo é custo. Antes de aprovar nova licença, faz mais sentido perguntar se a empresa tem time, dados e governança para operá-la.
Estratégia · planejamento · talento

06Considerações finais

A pergunta antes de qualquer investimento adicional.

O cenário descrito aqui não é exclusivo de quem está atrasado. É a condição padrão do mercado em 2026. A maioria das empresas que adotou IA está nessa zona intermediária em que o uso é real, o investimento é crescente, mas a entrega ainda não escala. Reconhecer isso é o primeiro passo para sair dele.

O segundo passo é resistir à pressão por mais adoção. O movimento natural, dentro da empresa, é responder ao gap aprovando mais ferramentas, mais pilotos, mais frentes. A evidência desses estudos aponta a direção oposta: quem está na frente não fez mais; fez melhor o que já tinha começado, com mais disciplina orçamentária, mais governança e mais clareza sobre como medir resultado.

Para quem responde por reputação corporativa, a implicação é direta. Toda empresa vai precisar contar o que faz com IA em 2026. A pergunta é se vai contar com evidência ou com promessa. As duas comunicações têm efeitos opostos no médio prazo, e a diferença entre elas começa não na hora de escrever o release, mas muito antes, na decisão sobre se a estrutura interna está pronta para sustentar o que vai ser dito.

Se a resposta for não, o problema não é a ferramenta. É o ponto de partida.


Referências

Fontes consultadas.

Pesquisas e relatórios de mercado que embasam este briefing

01
Gartner, CMO Spend Survey 2026Maio de 2026
02
McKinsey, The State of AI 2025Novembro de 2025
03
Duke University / Deloitte / AMA, The CMO SurveyJaneiro de 2026
04
Conference Board, C-Suite Outlook 2026Janeiro de 2026
05
NinjaCat, Marketing Operations Report 2026
06
Averi AI, AI in Content Marketing Survey 2026
07
Forrester, Predictions 2026: AI Moves From Hype to Hard Hat WorkOutubro de 2025

Thiago Menezes
Por
Thiago Menezes
Diretor de estratégia e projetos

Comunicador e jornalista com especialização em Gerenciamento de Projetos. Atuo há mais de dezesseis anos na interseção entre comunicação corporativa, reputação e gestão, conduzindo projetos para empresas e instituições do agronegócio, mineração, indústria e ESG.

Acredito em comunicação que parte da evidência. Equipes seniores, briefing único, decisões orientadas por dado. É essa a tese que sustenta a Novo Mundo.

FormaçãoComunicação Social · Jornalismo
EspecializaçãoGerenciamento de Projetos
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