As redes sociais superaram a TV como fonte de notícia no Brasil: 53% contra 44%, vantagem de nove pontos. Elas lideram a distribuição, enquanto a imprensa segue na origem do conteúdo.
A TV foi citada como fonte de notícia por 44% das pessoas no Brasil, oito pontos abaixo do resultado global (52%). As redes sociais foram citadas por 53%, em linha com os demais países (54%). O público brasileiro se informa por criadores, WhatsApp, Instagram e IA acima da média mundial.
Role para começarPor que este briefing
O Digital News Report 2026, do Reuters Institute, foi divulgado nesta semana. A edição de 2026 ouviu quase 100 mil pessoas em 48 mercados, com cerca de 2.000 respondentes no Brasil.
O relatório aponta onde estão a atenção e a confiança do público. Logo de saída, um dado se destaca: o Brasil foi o único dos 48 mercados em que a preocupação com desinformação caiu.
O vídeo é o formato favorito: globalmente, 77% dos entrevistados disseram consumir notícia em vídeo. Analisamos os dados da pesquisa e a evolução de 2025 para 2026.
As redes sociais superaram a TV como fonte de notícia no Brasil: 53% contra 44%, vantagem de nove pontos. Elas lideram a distribuição, enquanto a imprensa segue na origem do conteúdo.
Entre as duas últimas edições, a TV caiu dez pontos e as redes subiram sete. Os dois indicadores trocaram de posição, e a notícia passou a chegar mais pelo feed do que pela tela da TV.
Uso semanal de cada rede para notícia no Brasil, 2026.
Instagram (49%) e WhatsApp (46%) lideram entre as plataformas, à frente do YouTube. O público brasileiro encontra notícia onde conversa, no visual e na mensageria.
Linha cheia: Brasil · contorno: média global dos 48 mercados. Cada eixo é a porcentagem do indicador.
O Brasil acompanha a tendência global em redes e confiança, fica abaixo na TV e aparece acima em IA e criadores. O público continua acessando os canais jornalísticos, mas o acesso agora se dá a partir das plataformas de social media e inteligência artificial.
13% dos brasileiros já usam chatbots de IA para notícia, a segunda maior taxa entre 48 mercados. O Brasil entrou na descoberta generativa antes da maior parte do mundo, e isso cobra estratégia de posicionamento para a sua marca não ficar invisível na recuperação de conteúdo pelas LLMs.
Alcance semanal das principais marcas de notícia online no Brasil, 2026.
A imprensa mantém as maiores marcas online, com o G1 à frente. A diferença é que o público as encontra pela mediação das plataformas, não mais pelo acesso direto.
Alcance ficou abundante e barato nas plataformas. O recurso escasso agora é credibilidade dentro de canais que a marca não controla.
Por que a TV perde sem que a imprensa saia de cena.
No Brasil, as redes sociais superaram a TV como fonte de notícia, com vantagem de nove pontos, e 33% da população se informa por criadores focados em notícia, contra 27% da média global. A imprensa não saiu de cena. As marcas jornalísticas mantêm os maiores nomes individuais do país: a TV Globo alcança 41% no consumo semanal, e o G1 é a maior marca digital, com 35%.
A distinção que importa para quem lidera comunicação e marketing está entre origem e distribuição. A imprensa ainda produz a maior parte da notícia, e o público a encontra cada vez mais pela mediação de plataformas e criadores. O ecossistema brasileiro de criadores é grande e profissionalizado.
O dinheiro acompanha o deslocamento da audiência. No mercado publicitário, o digital já quase empata com a TV no Brasil: 40,6% do investimento em 2025, ante 41,3% da televisão, segundo o Cenp.
Com 13%, o Brasil é a segunda maior taxa entre 48 mercados.
13% dos brasileiros usaram chatbots de IA como ChatGPT, Claude, Gemini e Perplexity para buscar notícia na última semana, alta de quatro pontos em um ano. É a segunda maior taxa entre os mercados pesquisados, atrás apenas da Coreia do Sul (14%) e acima da média global de 10%. Essa camada se comporta de forma diferente da busca tradicional: a confiança nas respostas de IA é de 20% no mundo, ante 37% nas notícias em geral. Grande parte dos usuários não clica para a fonte original.
O pano de fundo é a erosão do tráfego de busca. Dados da Chartbeat citados pelo relatório mostram que a busca orgânica para mais de 2.500 sites caiu cerca de um terço no mundo entre novembro de 2024 e novembro de 2025, e os editores projetam queda de até 43% em três anos. Para a marca, isso cobra estar presente e ser citável dentro da resposta gerada por IA.
36% no Brasil, o menor nível em 12 anos.
A confiança na notícia caiu para 36% no Brasil, queda de seis pontos no ano e o menor nível em mais de uma década, em cenário de polarização acentuada pela eleição de 2026. No mundo, a confiança recuou em 29 dos 48 mercados e ficou em 37%, o piso da série. Nos Estados Unidos, são apenas 25%. Quase metade dos brasileiros (47%) evita a notícia às vezes ou sempre, acima dos 42% globais.
O dado contraintuitivo está na desinformação. O Brasil foi o único dos 48 mercados em que a preocupação com fake news caiu, recuo de três pontos, na contramão da alta global de quatro pontos. A convivência com plataformas e influenciadores normalizou o ambiente para o público.
O Brasil foi o único dos 48 mercados em que a preocupação caiu. No mundo, ela chegou a 62%.
Brasil ante a média global dos 48 mercados, 2026.
Sites e apps de notícia: 51% no mundo. No Brasil entram em "qualquer online" (76%) e não são isolados como categoria. Vídeo de notícia: 77% de alcance semanal no mundo, o formato favorito.
No mundo, as redes sociais (54%) passaram pela primeira vez tanto a TV (52%) quanto os sites e apps de notícia (51%) como fonte mais usada. A confiança global ficou em 37%, e o uso de IA para notícia subiu de 7% para 10%. O vídeo de notícia chegou a 77% de alcance semanal.
A realocação que os dados pedem.
Trate criadores, WhatsApp e Instagram como infraestrutura de distribuição. É por ali que 33% do público encontra notícia, então a presença precisa ser contínua.
Distribuição · mensageriaCom 13% já usando chatbots e a busca encolhendo, estruture conteúdo institucional e fortaleça sua presença na imprensa para ser citado dentro da resposta gerada. Saiba mais neste artigo sobre GEO.
GEO · dados estruturadosColoque métricas confiáveis de conversão ao lado de impressão e tráfego.
Métrica · consideraçãoEm ambiente de baixa confiança, a procedência do que a marca distribui vira diferencial competitivo para além de item de compliance.
Integridade · brand safetyO Digital News Report 2026 descreve um público brasileiro que se informa fora dos canais que a marca controla e confia menos no que recebe. Para os líderes de comunicação e marketing em empresas, o trabalho está em construir presença confiável onde a atenção já está: nas plataformas, nos criadores e, cada vez mais, na resposta gerada por IA.
A notícia chega por plataformas e criadores antes de chegar pela imprensa. A marca precisa estar onde a atenção já está.
Redes sociais são a principal fonte de notícia no Brasil, citadas por 53% das pessoas, à frente da TV (44%), segundo o Digital News Report 2026 do Reuters Institute. Instagram (49%) e WhatsApp (46%) lideram entre as plataformas.
As redes superaram a TV como fonte de notícia. A imprensa segue produzindo a maior parte do conteúdo. O que mudou foi o canal: as redes lideram a distribuição, enquanto a imprensa permanece na origem da notícia.
13% dos brasileiros usaram chatbots de IA para notícia na última semana, alta de quatro pontos em um ano e a segunda maior taxa entre 48 mercados, segundo o Digital News Report 2026. A média global é de 10%.
Entre as edições 2025 e 2026, as redes sociais (46% para 53%) ultrapassaram a TV (54% para 44%) como fonte de notícia no Brasil. Parte da alta das redes reflete a reaplicação das perguntas em 2026, e não apenas mudança de comportamento.

Por
Thiago Menezes
Diretor de Estratégia e Projetos
Comunicador e jornalista com especialização em Gerenciamento de Projetos. Atuo há mais de 16 anos na interseção entre comunicação corporativa, reputação e gestão, conduzindo projetos para empresas e instituições do agronegócio, mineração, indústria e ESG.
Acredito em comunicação que parte da evidência. Equipes seniores, briefing único, decisões orientadas por dado. É essa a tese que sustenta a Novo Mundo.
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